Coluna História da Igreja sem fundo

História da Devoção Mariana

Conheça as origens da devoção a Maria de Nazaré, Nossa Senhora
Picture of Por Josimar Kauton

Por Josimar Kauton

13 de maio de 2025

Devoção Mariana - História da Igreja

A devoção a Maria de Nazaré, Mãe de Jesus, remonta ao tempo das primeiras comunidades cristãs e assenta na veneração, onde é reservado o termo teológico hiperdulia (veneração especial e maior) – O termo latria se aplica exclusivamente a Deus e dulia, aos outros santos e santas. A definição da hierarquia de culto em três níveis, latria, hiperdulia e dulia, refere-se ao 2º Concilio de Nicéia, em 787.


A devoção cristã a Maria mostra claros sinais no início do século II e antecede o surgimento de um sistema específico litúrgico mariano no século V, após o 1º Concilio de Éfeso em 431. O próprio Concilio foi realizado em uma igreja que havia sido dedicada a Maria cerca de cem anos antes. No Egito, a veneração a Maria tinha começado no século III e o termo Teótoco (Mãe de Deus) foi usado por Orígenes, o pai da Igreja de Alexandria.


A mais antiga oração mariana que se conhece, o sub tuum praesidium ( sob vossa proteção) é do início do século II e seu texto foi redescoberto em 1917 em um papiro no Egito. Após o Édito de Milão em 313, imagens artísticas de Maria começaram a aparecer em maior número em grandes igrejas que estavam sendo dedicadas a ela, como por exemplo, a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. A mais antiga representação de Maria conhecida foi encontrada nas Catacumbas de Priscila, um dos mais antigos cemitérios subterrâneos das primeiras comunidades cristãs, em Roma, e data provavelmente do séc. II. No Oriente, os aspectos naturais de Nossa Senhora levaram a celebrar a festa da Natividade (8 de setembro), da Anunciação (25 de março), da Purificação (2 de fevereiro), da Assunção (15 de agosto), festas essas que entraram também nas liturgias ocidentais por obra do papa Sérgio I.


Na Idade Média, depois da escolástica, foram celebradas as festas da Visitação (2 de julho), da Imaculada (8 de dezembro), da apresentação no Templo (21 de novembro).


Fatos particulares da cristandade pós-tridentina deram origem às festas do Rosário (7 de outubro) e do Nome de Maria (12 de outubro). Tornaram-se universais as festas que eram próprias de ordens religiosas, como a do Carmelo (16 de julho), de Nossa Senhora das Dores (15 de setembro), do Coração de Maria (22 de agosto) e várias outras que se originaram de devoções particulares, entre as quais a de Maria Rainha (31 de maio).


O desenvolvimento da devoção mariana ao longo dos séculos deve-se aos escritos de vários Santos sobre o seu papel central no plano salvífico de Deus, e também a várias iniciativas dos Pontífices e Bispos. Os quatro dogmas marianos, a Maternidade Divina, a Virgindade Perpétua, a Imaculada Conceição e a Assunção, são verdades de fé para os católicos, sustentam e são parte integrante da fé em Cristo. Os textos dedicados à figura da Virgem Maria, orações, liturgia, dias santos, o reconhecimento de aparições, contribuíram igualmente para a tradição cristã e a devoção de milhões de católicos em todo o mundo. A Carta Encíclica Ad Caeli Reginam, a Exortação Apostólica Marialis Cultus, a Constituição Dogmática Lumen Gentium e a Encíclica Redemptoris Mater, são alguns dos textos essenciais na formação da Mariologia.


Locais de aparições deram origem a enormes peregrinações, que são fortes manifestações devocionais, como o Santuário da Virgem de Guadalupe, no México, de Nossa Senhora de Lourdes, na França, de Nossa Senhora da Aparecida, no Brasil, e o Santuário de Nossa Senhora do Rosário em Fátima.

Picture of Por Josimar Kauton

Por Josimar Kauton

Ler mais artigos

Para você:

Quaresma - Como viver bem o agora

Como viver bem o agora?

Viver bem o agora é acolher o tempo de misericórdia como oportunidade de conversão. Entre perdão, penitência e mudança de vida, cada instante se torna preparação para a Páscoa e para o encontro definitivo com Deus.
Confissão encontro com a misericórdia que restaura a vida

Confissão: encontro com a misericórdia que restaura a vida

No sacramento da Confissão, a misericórdia de Deus encontra a fragilidade humana. Mais que declarar culpas, é um reencontro que cura, reconcilia e devolve ao coração a alegria da salvação.
Horário de Missa em São Lourenço MG

Missas do Mês de Março

Disciplina e sacrificio vão salvar sua vida

Disciplina e Sacrifício: o que você está evitando pode salvar sua vida

Em tempos de recompensas fáceis e “dopamina barata”, disciplina, penitência e renúncia parecem ultrapassadas. Mas é no sacrifício que a vontade se fortalece e a fé amadurece. Sem sacrifício não há ressurreição.
O exemplo de São José para vivermos bem a quaresma

O exemplo de São José para vivermos bem a Quaresma

Na Quaresma, o exemplo de São José ilumina o caminho da conversão. Seu silêncio, obediência e perseverança ensinam como atravessar o deserto com fé, oração sincera e confiança na vontade de Deus.

Ano Santo Franciscano

O oitavo centenário da páscoa de São Francisco inspira um Ano Santo Franciscano marcado por peregrinação, memória e conversão. O Pobrezinho de Assis continua a chamar o mundo à santidade e à paz.