Em anos eleitorais, como este novo ano que acaba de chegar, é muito comum ouvirmos frases como: “esse país não tem jeito”, quase sempre seguidas de “esses políticos só sabem roubar e prejudicar o próprio povo”. De fato, é profundamente frustrante ver uma nação que nasceu grande (um verdadeiro Império) afundar em tantas camadas de corrupção, injustiça e maldade.
Mas hoje proponho uma provocação necessária. Gostamos de apontar os políticos como únicos culpados de nossas tragédias (e que fique claro: eles têm, sim, sua enorme parcela de responsabilidade). Contudo, quase sempre esquecemos de um detalhe essencial: os políticos também são povo.
O mesmo povo que condena o político corrupto é aquele que, muitas vezes, exalta o famoso “jeitinho brasileiro”, que não aceita sair de uma situação sem sentir que “levou vantagem”. O povo que critica o governo por não valorizar o trabalho honesto e o empreendedorismo é, não raro, o mesmo que não apoia um amigo ou familiar que decide começar o próprio negócio.
A verdade é dura, mas necessária: os governantes são reflexo da mentalidade do povo. Logo na introdução do Livro do Profeta Isaías, o Senhor nos adverte:
“Eu criei filhos e os eduquei; eles, porém, se revoltaram contra mim. […] Meu povo não tem entendimento. Ai da nação pecadora, do povo carregado de crimes, da raça de malfeitores, dos filhos desnaturados! Abandonaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, Onde vos ferir ainda, quando persistis na rebelião? […]Desde a planta dos pés até o alto da cabeça, não há nele coisa sã. Tudo é uma ferida, uma contusão, uma chaga viva, que não foi nem curada, nem ligada, nem suavizada com óleo. Vossa terra está assolada, vossas cidades, incendiadas. Os inimigos, à vossa vista, devastam vosso país.” (Is 1,2-3).
A Sagrada Escritura nos ensina que não há renovação de uma nação sem conversão pessoal. Um povo fiel a Deus, que estuda, vive e pratica o Evangelho, tem a vitória garantida pelo Senhor dos Exércitos. Não porque será isento de dificuldades, mas porque caminha segundo a Verdade.
Que neste novo ano possamos, eu, você e todo o povo brasileiro, reconhecer nossos próprios pecados, abandonar a hipocrisia de culpar apenas os outros e assumir a responsabilidade de reconstruir uma nação que viva, de fato, para a Santa Vontade de Deus.
“Feliz a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl 32,12).