Não é novidade para ninguém que vivemos tempos em que o medo é a principal arma. Medo de não dar certo, de morrer, de ficar pobre, de ser rejeitado, de sofrer, de fracassar… Medo até de ser quem se é. A sociedade aprendeu, desde os primórdios, a usar o medo como forma de controle. Onde há medo, há paralisia. E quem está paralisado não vive plenamente, não se arrisca, não se entrega… apenas sobrevive.
Mas a Palavra de Deus, como de costume, nos mostra um caminho diferente. Um caminho de coragem, de confiança e de fé. Um caminho onde o medo não tem lugar.
Quando Jesus soube que a filha de Jairo havia morrido, Ele não respondeu com desespero ou lamento. Ele disse com firmeza:
“Não temas; crê somente, e ela será salva”
(Lucas 8,50).
Essa frase é uma chave espiritual. Jesus nos convida a trocar o medo pela fé. Porque onde há fé, há esperança. E onde há esperança, há vida.
O medo nos afasta do que Deus sonhou para nós. Quando vivemos dominados pelo temor, perdemos nossa identidade. Escondemos nossos dons, sufocamos nossa vocação, deixamos de amar por medo de não sermos amados. Mas como nos lembra a Escritura:
“Não tenhais medo, porque Eu estou convosco; não vos atemorizeis, porque Eu sou o vosso Deus; Eu vos fortaleço, e vos ajudo, e vos sustento com a minha destra fiel”
(Isaías 41,10).
É Deus quem sustenta. É Ele quem fortalece. Não estamos sozinhos.
O medo é uma espécie de profecia negativa. Quem vive com medo de cair, vive tenso e acaba caindo. Quem teme a solidão, muitas vezes se isola. O medo nos aproxima exatamente daquilo que queremos evitar. Já a fé faz o oposto: ela atrai o impossível. Ela move montanhas. A fé é a linguagem do céu.
E onde há temor, não há amor. O amor exige liberdade. Exige entrega. Deus não quer servos que O sigam por medo do inferno, mas filhos que O amem por reconhecerem Sua bondade.
Neste mês vocacional, essa mensagem se torna ainda mais urgente. Muitos jovens não seguem sua vocação — seja matrimonial, sacerdotal, religiosa ou profissional — por medo. Medo de errar, de decepcionar, de abrir mão. Mas vocação é chamado de amor. E quem responde com fé, mesmo tremendo, é sustentado por Deus.
Nosso padroeiro São Lourenço já sabia disso. Diante da perseguição, ele poderia ter fugido, se escondido ou simplesmente se calado. Mas escolheu a coragem. Não foi o medo que o moveu, foi o amor a Cristo. E foi esse amor que o tornou livre — livre até para entregar a própria vida, certo de que não estava sozinho.
Que o exemplo de São Lourenço nos inspire. Que não tenhamos medo de ouvir o chamado de Deus, qualquer que seja ele, e responder com fé. Porque, como nos ensinou Jesus:
“Não temas.”