Desde o domingo, dia 22 de março último, os fiéis que passam pela Basílica dedicada a São Francisco, em Assis, podem venerar pela primeira vez, em 800 anos, na sua Igreja inferior, os restos mortais deste grande santo. Por dia são esperados cerca de 15 mil fiéis, já inscritos previamente; numa veneração que contemplará o período de um mês, onde se estima um total de 370 mil pessoas. Qual a razão desta movimentação tão grande à pequena cidade italiana?
A resposta está na realização do oitavo centenário do feliz trânsito de São Francisco de Assis da vida terrena para a pátria celeste (3 de outubro de 1226). Vale ressaltar que, nestes últimos anos, outros importantes jubileus estiveram ligados à figura e às obras do Santo de Assis: o oitavo centenário da criação do primeiro Presépio em Greccio, da composição do Cântico das Criaturas, hino à beleza santa da criação, e o da impressão dos Sagrados Estigmas, ocorrida no Monte Alverne, quase um novo Calvário, dois anos antes de sua morte. O ano de 2026 marca o ápice e o cumprimento de todas as celebrações precedentes: ele será, de fato, o Ano de São Francisco, e todos somos chamados a nos tornarmos santos na contemporaneidade, seguindo o exemplo do Seráfico Pai.
Se é maravilhosamente verdadeiro que “não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens” (cf. At 4,12) além de Jesus Cristo, Redentor da humanidade, é igualmente extraordinariamente verdadeiro que, entre os séculos XII e XIII, em época de guerras ditas santas, relaxamento dos costumes e fervor religioso mal compreendido, “nasceu para o mundo um sol”: Francisco, que, de filho de um rico comerciante, fez-se pobre e humilde, verdadeiro alter Christus na terra, oferecendo ao mundo exemplos tangíveis de vida evangélica e uma imagem real da perfeição cristã.
São 800 anos que Francisco continua tocando no coração das pessoas. Sua Santidade o Papa Leão XIV, Ministro da nossa fé e da nossa alegria, determinou que, de 10 de janeiro de 2026, em concomitância com o encerramento do Jubileu Ordinário, até 10 de janeiro de 2027, fosse proclamado um Ano especial de São Francisco, no qual todo fiel cristão, à semelhança do Santo de Assis, torne-se ele mesmo modelo de santidade de vida e testemunha constante de paz.
Não podemos nos esquecer do bonito monumento a São Francisco que se encontra em frente à Basílica Menor de São Lourenço. Também é ainda forte no coração de todo são-lourenciano a presença dos padres franciscanos nesta porção do Povo de Deus; bem como a viva presença das Irmãs Franciscanas na educação e na evangelização de nossa cidade. Que este Ano de São Francisco nos estimule, cada um segundo suas próprias possibilidades, a imitar o Pobrezinho de Assis, a nos formar, tanto quanto possível, segundo o modelo de Cristo, e a não tornar vãos os propósitos do Ano Santo há pouco concluído: que a esperança que nos viu peregrinos se transforme agora em zelo e fervor de caridade concreta.