Cristo Jesus, nosso Mestre e modelo divino da perfeição, amou a Igreja como uma esposa e entregou-se por ela para santificá-la e torná-la gloriosa aos seus olhos. Com efeito, depois de ter dado aos seus discípulos o preceito de imitar a perfeição do Pai, enviou sobre eles o Espírito Santo a fim de os mover interiormente a amar a Deus com todo o coração e a amarem-se uns aos outros como Ele os amou. Os discípulos de Cristo – como exorta o Concílio Vaticano II – chamados e justificados no Senhor Jesus não segundo as suas obras, mas segundo o Seu desígnio e a Sua graça, no Batismo e na fé foram constituídos de fato filhos de Deus e participantes da natureza divinos, e, por isso, verdadeiramente santos (LG, 40).
Entre estes, em todos os tempos, Deus escolhe muitos para que, seguindo mais de perto o exemplo de Cristo, deem testemunho glorioso do Reino dos céus com o derramamento de sangue ou com o exercício heroico das virtudes.
A Igreja, que desde os primeiros tempos do cristianismo sempre acreditou que os Apóstolos e os Mártires em Cristo estão estreitamente unidos conosco, venerou-os juntamente com a Bem-Aventurada Virgem Maria e com os Santos Anjos, e implorou devotamente o auxílio da sua intercessão. A estes, em curto espaço de tempo, juntaram-se outros que imitaram mais de perto a virgindade e a pobreza de Cristo e, finalmente, todos aqueles que pelo singular exercício das virtudes cristãs e dos carismas divinos suscitaram a devoção e a imitação dos fiéis.
O processo de canonização de um santo acontece seguindo estas etapas:
- Abertura da Causa:
A causa de canonização pode ser aberta quando a pessoa falece em fama de santidade, após um período de tempo, ou por solicitação do Papa. - Fase Diocesana:
A diocese onde a pessoa viveu ou faleceu inicia um inquérito para investigar detalhadamente (biografias, escritos e testemunhos) sua vida, virtudes e fama de santidade, com a ajuda de um bispo postulador (espécie de advogado).
Iniciando esta fase, o candidato é chamado de Servo de Deus, como é o caso de Dom Othom Motta, da cidade de Campanha.
Em seguida vem a analise das virtudes: O Vaticano, através da Congregação para a Causa dos Santos, analisa a vida do Servo de Deus para determinar se ele praticou as virtudes cristãs de forma heroica ou se sofreu martírio. Em se tratando de um mártir, devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar se houve realmente o martírio. A partir desta fase, o candidato recebe o titulo de Venerável (ou seja, digno de veneração), como é o caso de Madre Tereza Margarida, nossa Mãe, da cidade de Três Pontas. - Fase Vaticana:
Vencida a fase diocesana, o processo é enviado para o Vaticano, onde se investiga a comprovação de um primeiro milagre ocorrido após a morte do candidato, que, sendo reconhecido, a Igreja o venera como Beato (ou seja, é feliz junto a Deus), permitindo assim, um culto local (dentro da sua diocese, sua paroquia), como é o caso da Beata Nha Chica, da cidade de Baependi . No caso do Martírio, não é exigido um milagre.
Por ultimo, vem o processo de canonização, que é o ato pelo qual a Igreja reconhece oficialmente a pessoa como Santa e permite o culto universal. A Congregação para a Causa dos Santos analisa o processo e após constatar um segundo milagre após sua Beatificação, envia o relatório ao Papa, que, após analisar o processo e aprovar, sanciona através de um decreto papal denominado Constituição Apostólica. Em seguida, é realizado um Consistório Ordinário publico, onde o Papa informa os cardeais e determina a data da canonização, momento em que, através de uma celebração solene, realizada na Praça de São Pedro, Declara oficialmente como Santo e modelo de vida cristã para todos, ordenando que se coloque na Lista Oficial dos Santos e Santas da Igreja e permitindo que se promova sua veneração universal, como é o caso de São Carlo Acutis.
Notas: O custo para o processo de canonização de um santo pode variar bastante, com estimativas de mais de 1 milhão de reais. O valor final depende da complexidade do processo, que inclui viagens ao Vaticano, traduções de documentos, taxas e honorários de especialistas. Segundo as normas do Dicastério das Causas dos Santos, o processo de canonização só pode começar após cinco anos da morte da pessoa. Essa espera serve para que a emoção do momento não influencie a avaliação e o prazo para findar corre de acordo com a complexidade do processo. Documentos que ordenam um processo de canonização: Código do Direito Canônico, Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister -25/01/83 Papa Joao Paulo II.