Após cinco meses como líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV iluminou o coração dos fiéis com a sua primeira Exortação Apostólica “Dilexi Te” (“Eu te amei”), sobre o amor para com os pobres. Segundo o Papa, na própria Exortação, o Papa Francisco, nos últimos meses de sua vida, estava preparando uma carta sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres; um projeto que Leão ficou feliz em assumir, porque considera necessário que a Igreja insista neste caminho de santificação que passa pelos pobres e atribulados. A Exortação torna-se assim uma continuidade da Encíclica “Dilexit nos”, do Papa Francisco, com o acréscimo das reflexões apresentadas pelo Papa Leão.
A Exortação nos recorda que “o compromisso em favor dos pobres e pela erradicação das causas sociais e estruturais da pobreza, embora tenha adquirido importância nas últimas décadas, ainda continua insuficiente; até porque as sociedades em que vivemos privilegiam, com frequência, linhas políticas e padrões de vida marcados por numerosas desigualdades e, por isso, às antigas formas de pobreza que evidenciamos e se procuram combater, acrescentam-se outras novas, por vezes mais sutis e perigosas”. É preciso sempre recordar que a pobreza é um fenômeno multifacetado: material, moral e espiritual, cultural, pobreza dos que não tem direitos, nem lugar, nem liberdade…
Nesta Exortação o Papa recorda a história de São Lourenço, um diácono que manifestou sua adesão a Jesus Cristo, unindo na sua vida o serviço aos pobres e o martírio. A partir dos textos de Santo Ambrósio, vemos como São Lourenço, diácono de Roma no Pontificado do Papa Sixto II, ao ser obrigado pelas autoridades romanas a entregar os tesouros da Igreja, “trouxe consigo, no dia seguinte, os pobres. Quando lhe perguntaram onde estavam os tesouros que prometera, mostrou os pobres, dizendo: “estes são os tesouros da Igreja”. Ao longo do texto, Leão nos recordará outros tantos testemunhos de santidade construída a partir do amor e do serviço aos pequenos e pobres como São Francisco, Santa Clara, São Domingos de Gusmão, São José de Calasanz, São Marcelino Champagnat, Santa Teresa de Calcutá, Santa Dulce dos Pobres, entre tantos outros…
O cuidado com os pobres faz parte da grande Tradição da Igreja, como um farol de luz e vida que provém do reconhecimento de Cristo no rosto dos necessitados e dos sofredores. O Papa nos diz que “o coração da Igreja, por sua própria natureza, é solidário com os pobres, excluídos e marginalizados, com todos aqueles que são considerados ‘descartáveis’ pela sociedade”. Este cuidado deve se traduzir em nosso compromisso cristão. Sempre há oportunidade de amar concretamente quando se participa da vida de Igreja. Afinal pobres, a quem devemos amar e servir, sempre há no meio de nós!