Coluna-Palavra-do-Momento-Branco.webp

Dilexi te

A primeira Exortação Apostólica do Papa Leão XIV retoma o legado de Francisco e convida a Igreja a redescobrir o amor concreto pelos pobres.
Picture of Por Cônego Marcos Menezes

Por Cônego Marcos Menezes

7 de novembro de 2025

Dilexi te - Cônego Marcos Menezes

                Após cinco meses como líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV iluminou o coração dos fiéis com a sua primeira Exortação Apostólica “Dilexi Te” (“Eu te amei”), sobre o amor para com os pobres. Segundo o Papa, na própria Exortação, o Papa Francisco, nos últimos meses de sua vida, estava preparando uma carta sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres; um projeto que Leão ficou feliz em assumir, porque considera necessário que a Igreja insista neste caminho de santificação que passa pelos pobres e atribulados. A Exortação torna-se assim uma continuidade da Encíclica “Dilexit nos”, do Papa Francisco, com o acréscimo das reflexões apresentadas pelo Papa Leão.

                A Exortação nos recorda que “o compromisso em favor dos pobres e pela erradicação das causas sociais e estruturais  da pobreza, embora tenha adquirido importância nas últimas décadas, ainda continua insuficiente; até porque as sociedades em que vivemos privilegiam, com frequência, linhas políticas e padrões de vida marcados por numerosas desigualdades e, por isso, às antigas formas de pobreza que evidenciamos e se procuram combater, acrescentam-se outras novas, por vezes mais sutis e perigosas”. É preciso sempre recordar que a pobreza é um fenômeno multifacetado: material, moral e espiritual, cultural, pobreza dos que não tem direitos, nem lugar, nem liberdade…

                Nesta Exortação o Papa recorda a história de São Lourenço, um diácono que manifestou sua adesão a Jesus Cristo, unindo na sua vida o serviço aos pobres e o martírio. A partir dos textos de Santo Ambrósio, vemos como São Lourenço, diácono de Roma no Pontificado do Papa Sixto II, ao ser obrigado pelas autoridades romanas a entregar os tesouros da Igreja, “trouxe consigo, no dia seguinte, os pobres. Quando lhe perguntaram onde estavam os tesouros que prometera, mostrou os pobres, dizendo: “estes são os tesouros da Igreja”. Ao longo do texto, Leão nos recordará outros tantos testemunhos de santidade construída a partir do amor e do serviço aos pequenos e pobres como São Francisco, Santa Clara, São Domingos de Gusmão, São José de Calasanz, São Marcelino Champagnat, Santa Teresa de Calcutá, Santa Dulce dos Pobres, entre tantos outros…

                O cuidado com os pobres faz parte da grande Tradição da Igreja, como um farol de luz e vida que provém do reconhecimento de Cristo no rosto dos necessitados e dos sofredores. O Papa nos diz que “o coração da Igreja, por sua própria natureza, é solidário com os pobres, excluídos e marginalizados, com todos aqueles que são considerados ‘descartáveis’ pela sociedade”. Este cuidado deve se traduzir em nosso compromisso cristão. Sempre há oportunidade de amar concretamente quando se participa da vida de Igreja. Afinal pobres, a quem devemos amar e servir, sempre há no meio de nós!

Picture of Por Cônego Marcos Menezes

Por Cônego Marcos Menezes

Ler mais artigos

Para você:

Quaresma - Como viver bem o agora

Como viver bem o agora?

Viver bem o agora é acolher o tempo de misericórdia como oportunidade de conversão. Entre perdão, penitência e mudança de vida, cada instante se torna preparação para a Páscoa e para o encontro definitivo com Deus.
Confissão encontro com a misericórdia que restaura a vida

Confissão: encontro com a misericórdia que restaura a vida

No sacramento da Confissão, a misericórdia de Deus encontra a fragilidade humana. Mais que declarar culpas, é um reencontro que cura, reconcilia e devolve ao coração a alegria da salvação.
Horário de Missa em São Lourenço MG

Missas do Mês de Março

Disciplina e sacrificio vão salvar sua vida

Disciplina e Sacrifício: o que você está evitando pode salvar sua vida

Em tempos de recompensas fáceis e “dopamina barata”, disciplina, penitência e renúncia parecem ultrapassadas. Mas é no sacrifício que a vontade se fortalece e a fé amadurece. Sem sacrifício não há ressurreição.
O exemplo de São José para vivermos bem a quaresma

O exemplo de São José para vivermos bem a Quaresma

Na Quaresma, o exemplo de São José ilumina o caminho da conversão. Seu silêncio, obediência e perseverança ensinam como atravessar o deserto com fé, oração sincera e confiança na vontade de Deus.

Ano Santo Franciscano

O oitavo centenário da páscoa de São Francisco inspira um Ano Santo Franciscano marcado por peregrinação, memória e conversão. O Pobrezinho de Assis continua a chamar o mundo à santidade e à paz.