O primeiro dia do ano civil, quando ainda celebramos a oitava de Natal, inicia com a Igreja nos convidando a celebrar o dogma da Maternidade Divina, a Mãe de Deus, Theotókos. Maria é mãe de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: Maria é, portanto, Mãe de Deus. Ela é a discípula fiel e colaboradora, aquela que com o seu “sim”, permitiu que tudo isso acontecesse.
No dia 07 de outubro último, festa de Nossa Senhora do Rosário, o Dicastério para a Doutrina da Fé, lançou a Nota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação da Maria na obra da Salvação, intitulado “Mater Populi Fidelis” (Mãe do Povo Fiel). Esta Nota tem causado desde então, certo burburinho dentro da Igreja porque o Dicastério se propõe a esclarecer a numerosas consultas e propostas das últimas décadas relacionadas à devoção mariana. Em última instância , o Documento responde também a solicitações por dogmas marianos, que não apresentam as mesmas características da devoção popular, mas acabam por propor um determinado desenvolvimento dogmático e divulgam-se intensamente através das redes sociais, despertando com frequência, dúvidas nos fiéis mais simples.
Segundo o Dicionário de Conceitos Fundamentais de Teologia (Paulus, 1993), dogma (dogma dokein) é aquilo que para todos ou para muitos parece certo. Pode tratar-se de uma opinião, de uma doutrina ou de um princípio; ou do que parece certo a uma assembleia ou autoridade, de uma decisão, de um decreto ou edito. Neste sentido, todas as escolas filosóficas têm seus dogmas. A Igreja antiga concebia-se quer como herdeira da filosofia antiga quer como lugar da verdadeira. Assim já os padres apostólicos carrearam este uso para o ambiente cristão, aplicando o conceito de dogma ou dogmas às doutrinas e prescrições de Jesus.
O Novo Catecismo nos diz que o Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação Divina ou verdades que com estas tem uma conexão necessárias. Assim, os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro.
A nota Doutrinal “Mater Populi Fidei” portanto nos deixa seguros em nossa devoção mariana ao nos afirmar que o titulo de corredentora para definir a cooperação de Maria corre o risco de obscurecer a única mediação salvífica de Cristo e, portanto, pode gerar confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã. Com devida autoridade, o documento nos diz que associar os títulos de “corredentora” e “medianeira de todas as graças” à Virgem Maria, não nos auxilia a compreendermos seu importante na história da salvação.