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Escapulário

Embora constitua uma das devoções católicas mais populares de todos os tempos, ainda muitas pessoas desconhecem sua origem e significado autênticos. Não é raro ver quem a reduza a uma espécie de "amuleto" de superstição.
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Por Cônego Marcos Menezes

16 de julho de 2025

No dia 16 de julho a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo, uma celebração que está intimamente ligada à devoção e ao uso do escapulário. Embora constitua uma das devoções católicas mais populares de todos os tempos, ainda muitas pessoas desconhecem sua origem e significado autênticos, pelo que, infelizmente, não é raro ver quem a subestime ou reduza a uma espécie de “amuleto” de superstição. Por isso, nada mais conveniente que traçar um breve histórico dessa devoção, até para conhecer melhor o seu significado.


A expressão “escapulário” vem da palavra latina scapula e quer dizer, literalmente, aquilo que se traz sobre os ombros. A princípio, tratava-se realmente de um hábito comprido que todos os monges carmelitas estavam obrigados a vestir, em sinal de obediência e como símbolo do jugo suave e o fardo leve de Cristo (cf. Mt 11, 30). Com o passar do tempo e a expansão dessa devoção, todavia, o escapulário foi diminuindo de tamanho, até a forma reduzida que se vê hoje.


Especialmente após a aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock, em 16 de julho de 1251, a essa devoção acresceu-se um novo significado: o escapulário passou a ser o “hábito da Virgem Maria” e quem quer que começasse a usá-lo deveria procurar, também, consagrar-se à Mãe de Deus e imitar-lhe as virtudes, recebendo dela a tríplice promessa de (1) proteção durante a vida, (2) assistência na hora da morte e (3) salvação eterna. Nossa Senhora confirmou a devoção do escapulário, ligado à invocação do Carmo, em Lourdes e Fátima. A última aparição de Lourdes foi precisamente a 16 de julho de 1858. Foram impulsionados por essa forte mensagem mariana que muitos aderiram à devoção do escapulário e passaram-na adiante.


Cumpre não perder de vista, porém, a íntima associação que existe, desde o princípio, entre o uso do escapulário e a espiritualidade do Carmelo. Quem quer que receba a imposição desse “hábito” é como que agregado, de alguma forma, à grande família carmelita, como diz expressamente o atual “Rito de Benção e Imposição do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo”, aprovado em 1996 pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Não se trata, evidentemente, de um voto religioso, mas sim de um “sacramental”, verdadeiro instrumento da graça divina para que nos convertamos e levemos uma vida nova e de fervorosa oração. Inúmeras pessoas foram, de fato, conduzidas a Deus por meio dessa devoção, sem falar de tantas outras que, por misericórdia divina, receberam graças extraordinárias no momento de sua morte e salvaram as suas almas.


Os Papas recomendam também esta devoção, Bento XIII estendeu esta festa a toda Igreja em 1726 . Papa Pio XII exortava todo o povo de Deus a não receber em vão este hábito carmelita. O escapulário de Nossa Senhora do Carmo é garantia incondicional de salvação, portanto, para aqueles que fazem a vontade de seu Filho. Nossa esperança, ao trazermos sobre os ombros esse piedoso sacramental, é que ele seja “força salvadora de Deus” para nós que cremos (cf. Rm 1, 16), assim como era curado, durante a vida terrena de Jesus, quem quer que tocasse ainda que fosse somente nas orlas do Seu manto (cf. Mc 5, 25-34).

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