Estamos vivendo o Ano Santo Jubilar e o Papa Francisco, ainda na proclamação deste jubileu nos convidou a refletirmos sobre a Esperança Cristã: “Sob o sinal da esperança, o Apóstolo Paulo infunde coragem à comunidade cristã de Roma. A esperança é também a mensagem central do próximo Jubileu”, disse Francisco na Bula de Proclamação do Jubileu Ordinário do Ano 2025. O papa Francisco tinha sobretudo um olhar bem aguçado para o tempo em que vivemos, e assim observa como este tema da Esperança suscita no coração da humanidade um grande apelo, sobretudo na sua dimensão de transcendência em virtude da revalorização da dimensão escatológica da mensagem cristã.
Podemos falar que a tendência do homem para a esperança como força libertadora que explica o movimento da vida humana e proporciona ao homem, mediante a categoria da possibilidade, nova compreensão do ser como história, suscita em nosso pensar duas imagens do futuro; que poderíamos dizer, são radicalmente opostas entre si: a utopia e a escatologia.
A utopia se apresenta como transcrição secularizada da esperança no Reino. Esta consciência utópica corresponde a duas tendências profundamente enraizadas no espírito humano: a curiosidade diante do futuro e a necessidade de esperar. Estas tendências exigem que se invente uma imagem do futuro, sem a qual é impossível ao homem aceitar as inseguranças do tempo presente. Contudo, o futuro da utopia se apresenta insuficiente para os questionamentos do homem moderno.
Neste sentido, a esperança cristã se insere dentro que já chamamos escatologia: ela apela para o “mistério” como acontecimento que irrompe na história e na existência humana pela livre e surpreendente iniciativa de Deus. As promessas de Deus não se identificam com os conteúdos das utopias sociais e políticas, mas Deus penetra na história e na trama das vicissitudes humanas porque é precisamente nesta “maravilha de disponibilidade” que se pode converter em “estupor salvífico” entre a espera do homem e o mistério cristão.
Viver a esperança cristã nos remete, portanto à dimensão do mistério pascal do Senhor Jesus, de onde emerge e aflora seu sentido supremo: é ao mesmo tempo compromisso histórico e abertura ao porvir escatológico como dom do poder de Deus. Que este ano reaviva e reanime em nosso coração a alegria de nos colocarmos como servidores do reino sendo sempre peregrinos de esperança.