A devoção a Maria de Nazaré, Mãe de Jesus, remonta ao tempo das primeiras comunidades cristãs e assenta na veneração, onde é reservado o termo teológico hiperdulia (veneração especial e maior) – O termo latria se aplica exclusivamente a Deus e dulia, aos outros santos e santas. A definição da hierarquia de culto em três níveis, latria, hiperdulia e dulia, refere-se ao 2º Concilio de Nicéia, em 787.
A devoção cristã a Maria mostra claros sinais no início do século II e antecede o surgimento de um sistema específico litúrgico mariano no século V, após o 1º Concilio de Éfeso em 431. O próprio Concilio foi realizado em uma igreja que havia sido dedicada a Maria cerca de cem anos antes. No Egito, a veneração a Maria tinha começado no século III e o termo Teótoco (Mãe de Deus) foi usado por Orígenes, o pai da Igreja de Alexandria.
A mais antiga oração mariana que se conhece, o sub tuum praesidium ( sob vossa proteção) é do início do século II e seu texto foi redescoberto em 1917 em um papiro no Egito. Após o Édito de Milão em 313, imagens artísticas de Maria começaram a aparecer em maior número em grandes igrejas que estavam sendo dedicadas a ela, como por exemplo, a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. A mais antiga representação de Maria conhecida foi encontrada nas Catacumbas de Priscila, um dos mais antigos cemitérios subterrâneos das primeiras comunidades cristãs, em Roma, e data provavelmente do séc. II. No Oriente, os aspectos naturais de Nossa Senhora levaram a celebrar a festa da Natividade (8 de setembro), da Anunciação (25 de março), da Purificação (2 de fevereiro), da Assunção (15 de agosto), festas essas que entraram também nas liturgias ocidentais por obra do papa Sérgio I.
Na Idade Média, depois da escolástica, foram celebradas as festas da Visitação (2 de julho), da Imaculada (8 de dezembro), da apresentação no Templo (21 de novembro).
Fatos particulares da cristandade pós-tridentina deram origem às festas do Rosário (7 de outubro) e do Nome de Maria (12 de outubro). Tornaram-se universais as festas que eram próprias de ordens religiosas, como a do Carmelo (16 de julho), de Nossa Senhora das Dores (15 de setembro), do Coração de Maria (22 de agosto) e várias outras que se originaram de devoções particulares, entre as quais a de Maria Rainha (31 de maio).
O desenvolvimento da devoção mariana ao longo dos séculos deve-se aos escritos de vários Santos sobre o seu papel central no plano salvífico de Deus, e também a várias iniciativas dos Pontífices e Bispos. Os quatro dogmas marianos, a Maternidade Divina, a Virgindade Perpétua, a Imaculada Conceição e a Assunção, são verdades de fé para os católicos, sustentam e são parte integrante da fé em Cristo. Os textos dedicados à figura da Virgem Maria, orações, liturgia, dias santos, o reconhecimento de aparições, contribuíram igualmente para a tradição cristã e a devoção de milhões de católicos em todo o mundo. A Carta Encíclica Ad Caeli Reginam, a Exortação Apostólica Marialis Cultus, a Constituição Dogmática Lumen Gentium e a Encíclica Redemptoris Mater, são alguns dos textos essenciais na formação da Mariologia.
Locais de aparições deram origem a enormes peregrinações, que são fortes manifestações devocionais, como o Santuário da Virgem de Guadalupe, no México, de Nossa Senhora de Lourdes, na França, de Nossa Senhora da Aparecida, no Brasil, e o Santuário de Nossa Senhora do Rosário em Fátima.