Me arrisco a afirmar que este talvez seja o tema mais importante que já tive a oportunidade de refletir com você nesta coluna. Identidade é a resposta para a pergunta mais profunda do ser humano: “quem sou eu?”
Foi Deus quem criou a sua identidade. Fugir dela é fugir de si mesmo. E, ainda que isso pareça impossível, é mais comum do que imaginamos. Quantas pessoas hoje vivem desorientadas, tentando preencher um vazio na alma com aceitação, aprovação ou até mesmo personagens inventados para agradar os outros? Quando alguém perde sua verdadeira identidade, torna-se vulnerável, manipulável, entregue ao mundo. Passa a viver escravo do próprio orgulho e distante da salvação.
Mas a Palavra nos lembra:
“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.”
(1 Coríntios 12:27)
Ou seja: você não é definido pelos seus traumas, nem pelo que fizeram com você. Você é filho de Deus, criado com amor e cuidado por Aquele que não erra jamais.
Hoje ouvimos muito a frase: “você pode ser o que quiser”. Parece bonito, mas é dessa mentira que brotam tantas distorções de identidade. Não é liberdade, é escravidão disfarçada.
O beato Carlo Acutis, que será canonizado no próximo dia 7 de setembro, já tinha clareza sobre isso:
“Todos nascemos originais, mas muitos de nós morremos como fotocópias.”
(São Carlo Acutis)
Carlo entendeu que ser santo é viver a originalidade de ser quem Deus nos criou para ser. Nem cópia, nem máscara: identidade verdadeira.
Curiosamente, no mesmo 7 de setembro em que Carlo será canonizado, o Brasil celebra sua independência. Não é coincidência: há uma ponte entre identidade pessoal e identidade nacional.
Assim como uma pessoa perde o senso de quem é, também uma nação se esquece de suas raízes. O Brasil nasceu dos valores católicos, mas hoje vemos nossa identidade reduzida ao “jeitinho brasileiro”, à malandragem, ou a produtos culturais que, longe de serem nossa essência, acabam sendo impostos como se fossem.
Contam-nos uma história distorcida, invertendo vilões e heróis. Pintam personalidades como líderes corruptos. O resultado?
Um povo que esquece sua história e, sem identidade, caminha sem futuro.
“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
(1 Pedro 2:9)
Que neste 7 de Setembro, possamos nos perguntar, como indivíduos e como nação: “Quem somos nós?”.