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Moradia

“Ele veio morar entre nós” ilumina a realidade da moradia no Brasil. À luz da Encarnação, a Campanha da Fraternidade 2026 provoca a fé cristã a enxergar o teto como direito, dignidade e compromisso evangélico.
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Por Cônego Marcos Menezes

10 de fevereiro de 2026

Campanha da Fraternidade 2026

A cada ano, a Igreja no Brasil se une em torno de um tema concreto que provoca a conversão do coração e o compromisso com os irmãos e irmãs mais vulneráveis. A este grande movimento, associado sobretudo ao tempo quaresmal, embora não se esgote nele,  chamamos “Campanha da Fraternidade” (CF). Em 2026 a Campanha da Fraternidade vem tocar em mais uma chaga social e traz como tema a questão da moradia. O lema escolhido para nortear este tempo foi: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a grande inspiração está no mistério da Encarnação, que revela a proximidade amorosa de Deus com a humanidade, a partir daí o olhar se volta para a realidade dramática da moradia no Brasil.

Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), para ser considerada uma moradia adequada ou moradia digna, é necessário que tenha uma boa habitalidade, esteja localizada onde há infraestruturas, serviços públicos e fácil acesso aos transportes públicos, segurança de posse, custos que não comprometam outras necessidades, acessibilidade para pessoas com deficiência ou limitações e adequação cultural. A moradia digna é a base para a efetivação do direito à cidade e dos direitos humanos.

Neste sentido, a CF26 busca trazer para a mesa de debate a realidade brasileira, onde moradias precárias muitas vezes são admitidas como normais e tornam-se fator de segregação de milhões de pessoas. É necessário identificar omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos direitos à moradia e à cidade, bem como iniciativas pastorais, governamentais e da organização popular que promovam a moradia. Dentro do campo eclesial também é necessário conscientizar, a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos.

Em tempos de tantos desafios sociais, a Igreja é chamada a ser pobre com os pobres, a fixar seu olhar no Senhor, mas com os pés na história. A conversão quaresmal não é apenas pessoal e interior, mas também comunitária e social, como nos ensina o Concílio Vaticano II. Neste sentido, refletirmos e vivermos a CF nos ajuda a promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda população.

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Por Cônego Marcos Menezes

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