Você já deve ter ouvido, ao menos uma vez, que o orgulho é o pior de todos os pecados. E talvez tenha enxergado essa afirmação como um exagero, ou até como algo absurdo, especialmente se comparado a pecados como roubar, invejar ou matar. Mas já parou para pensar no que motiva cada um desses pecados, por pior que sejam?
Vejamos um exemplo prático: suponha que uma pessoa roube algo de alguém. A intenção por trás dessa atitude é clara: obter benefício próprio às custas do prejuízo do outro. Em outras palavras, a pessoa coloca o seu desejo acima da dignidade do próximo e, mais grave ainda, acima da vontade de Deus, neste caso, expressa no 5º mandamento: ‘‘Não matarás’’. O nome disso é orgulho.
O orgulho nos faz acreditar que somos autossuficientes, que não precisamos de ninguém, nem mesmo de Deus. Nos tornamos como Satanás, que foi expulso do Céu por se achar digno de tomar o lugar do Altíssimo. Observe que o orgulho é o pecado que deu origem a todos os outros. Por isso, a Bíblia adverte:
“O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda.”
(Provérbios 16:18)
Pessoas dominadas pelo orgulho muitas vezes se sentem no direito de humilhar os outros. Acham-se superiores, melhores, mais espirituais, mais inteligentes ou mais bem-sucedidas. Mas essa postura, na esmagadora maioria dos casos, não passa de uma máscara para esconder uma insegurança profunda. É a armadura de quem teme ser pequeno, fraco, rejeitado — e então tenta compensar com soberba o que falta de identidade em Deus.
Essa mesma soberba se infiltra até nas nossas lutas espirituais. Há quem, ao tentar abandonar um pecado, pense: “Eu consigo sozinho. Já sou forte o bastante.” Mas a Palavra é clara: “sem mim, nada podeis fazer” (João 15:5). A falsa autossuficiência nos afasta da graça e nos lança em um combate desigual. É nessa hora que caímos, justamente porque confiamos em nós mesmos mais do que em Deus.
A verdadeira força não está na arrogância, mas na humildade. Jesus nos ensina:
“Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.”
(Mateus 23:12)
A humildade é o antídoto contra o orgulho. Ela nos posiciona corretamente diante de Deus e dos outros. Não é fraqueza, mas sabedoria espiritual: reconhecer que precisamos do Senhor em tudo.
Mas qual é o primeiro passo para cultivar a humildade? A oração sincera. Não uma oração mecânica ou interesseira, mas aquela que brota do coração contrito e deseja, acima de tudo, que a vontade de Deus se cumpra em nossa vida. É nesse espírito que nos voltamos ao Sagrado Coração de Jesus neste mês de junho.
O Coração de Cristo é manso, humilde e cheio de compaixão. Nele encontramos o modelo perfeito de submissão à vontade do Pai, de serviço ao próximo e de amor que se entrega sem reservas. Pedir que nosso coração seja semelhante ao d’Ele é clamar por uma transformação profunda: “Senhor, tira de mim o orgulho e dá-me um coração humilde como o Teu.”
Que neste mês, quando tantos dizem ser o ‘‘mês do orgulho’’, possamos contrariar a lógica do mundo, dedicando ao Sagrado Coração, para que tenhamos a coragem de permitir que o amor humilde de Cristo volte a reinar em nossas vidas.