“Vai à formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos, e sê sábio. Porquanto ela, não tendo chefe, nem oficial, nem governador, providencia o seu pão no verão, para ter alimento quando chegar o inverno. A preguiçosa diz: ‘Ficarei dormindo um pouco, farei um pouco de repouso e me lembrarei do meu sonho. Mas, a tua miséria virá como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.'”
(Provérbios 6:6-11)
A procrastinação é um mal silencioso e sorrateiro. É o atraso voluntário e repetido daquilo que deve ser feito, mesmo tendo plena consciência de que isso trará consequências negativas. Ela corrói uma das coisas mais preciosas que temos nessa vida: o tempo.
E quando trazemos isso para a vida cristã, entendemos que não há tempo a perder, afinal, engana-se quem pensa que basta apenas ‘‘não fazer o mal’’ ou ‘‘não pecar’’. O chamado de Cristo é mais profundo: devemos agir e fazer o bem. A omissão diante de nossas responsabilidades espirituais, familiares, profissionais e comunitárias também é uma forma de infidelidade. Por isso, a procrastinação é muito mais do que um simples atraso nas tarefas: ela é um obstáculo real no caminho da santidade.
Mas por que procrastinamos tanto, mesmo sabendo o que deve ser feito? Por que sentimos como se nossa alma quisesse fazer algo, mas o corpo simplesmente não obedece? Isso acontece porque sua mente está viciada em prazeres rápidos e, por isso, ela toma o controle da sua vida em busca desses prazeres e em fuga de qualquer esforço maior. Logo, a solução está em recuperar o controle da sua vida e do seu corpo – em especial a mente.
Mas como fazer isso? O primeiro passo é a oração. A oração contínua aproxima a alma de Deus e fortalece o espírito para essa verdadeira luta. O segundo passo, que é igualmente indispensável, consiste na mudança de pequenos hábitos no seu dia-a-dia. Regule seu sono com disciplina. Pratique exercícios físicos todos os dias, mesmo que breves. Cuide da sua alimentação e da sua saúde em geral. Lembre-se que a procrastinação acontece no corpo.
Além disso, uma prática milenar da Igreja pode ajudar muito: as penitências. Ao dizer pequenos “nãos” a si mesmo — como jejuar, tomar banho frio, ou renunciar a algo prazeroso por um dia — você treina a sua vontade para ser mais forte do que seus desejos. Essa força de vontade será sua aliada na luta contra a procrastinação.
Deus nos chama a viver com diligência, como a formiga do Provérbio. Que neste mês de maio, dedicado a Maria, encontremos nela o exemplo de prontidão, obediência e entrega ao chamado de Deus. Que ela interceda por nós para que aprendamos a agir com coragem e fé, vencendo toda paralisia da alma e do corpo.
“Tudo o que tiver a mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças.”
(Eclesiastes 9:10)