A Quaresma é um tempo fecundo na vida do fiel católico, e sua chegada deve provocar em nós reflexão, mudança e conversão sincera do coração. Por isso, este é um tempo propício para a mortificação. Mas o que é mortificação, afinal? À primeira vista, esta palavra pode assustar quem a ouve, mas trata-se de renunciar aos nossos gostos, desejos e vontades. Assim, colocamos ordem aos nossos sentidos, dominamos nossos desejos e ofertamos a Deus nosso tempo e amor.
A importância da mortificação está justamente no fato de que vivemos nesse mundo, mas nossa pátria é o céu, e para tanto, precisamos buscar as coisas de Deus e não nos apegar ao que é passageiro. Podemos fazer pequenas mortificações todos os dias, quando ficamos em silêncio quando nossa vontade é responder àquele que nos ofende; quando temos paciência mesmo diante das contrariedades da vida; quando renunciamos ao nosso descanso para servir ao próximo; quando renunciamos ao conforto, como o de mexer no celular, para dedicar o tempo a Deus etc.
A mortificação é um ato de amor, e unida à oração sincera, purifica o coração, fortalece a alma e nos ajuda a viver a Quaresma não como um simples período de renúncias externas, mas como um verdadeiro caminho de conversão.
Santo Inácio de Loyola nos recorda que “a vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo”. Essa vitória não acontece de forma instantânea, mas é construída dia após dia, com perseverança e humildade. Ao vencermos nossas inclinações desordenadas, aprendemos a colocar Deus no centro da nossa vida e a ordenar tudo a partir Dele. Assim, a mortificação deixa de ser peso e se torna instrumento de liberdade, pois já não somos guiados apenas por impulsos, mas pelo amor.
Que este tempo quaresmal seja, então, uma oportunidade concreta de conversão, e que por meio da oração, mortificação e caridade, possamos morrer para o pecado e renascer para uma vida nova em Cristo, preparando nosso coração para celebrar com fé e alegria o mistério da Ressurreição.